Evolução
Uma nova luz se acendeu na constelação da ASP. Esperamos que continue brilhando.
Por Alex Guaraná - guarana@edpeixes.com.br
Eu e praticamente todos os que amam o surf brasileiro ficamos orgulhosos com a vitória de Bruno Santos no Billabong Pro, realizado no Tahiti em maio. Bruninho merece por sua perseverança, carisma e talento. Ele já é conhecido pela exímia técnica na arte de entubar de frontside e sinceramente nem acho tanta surpresa ter conseguido o caneco, já que nos últimos três anos o niteroiense vem conseguindo resultados expressivos em ondas similares a Teahupoo. Logicamente, existem surfistas melhores e que poderiam vencê-lo ali, mas aquele foi o seu dia, onde tudo conspirou a seu favor. Porém foi um outro brasileiro que me encantou, este sim pela surpreendente atuação. Foi ele, Adriano de Souza.
Fiquei pasmo ao assistir a primeira bateria de "Mineirinho" no evento. Sei que, há muito tempo, ele treina no pico inclusive tendo a companhia de um professor e tanto na sua primeira vez, Danilo Costa, surfista com alta quilometragem nos canudos. Mas não esperava a exibição exuberante com que fui brindado. Acho quem ninguém que estava de olho na telinha de computador ou na tela de TV acreditou quando o paulista dropou de grab rail e se moveu por dentro das pesadas esquerdas com a maestria de um havaiano. E mais, para mostrar ao mundo que não era sorte, repetiu o feito seguidas vezes, chegando a somar uma pontuação que beirou a perfeição.
Até o jornalista aussie Nick Carroll, um dos críticos mais ferrenhos do surf brasileiro e que comentava pelo site do evento, deu o braço a torcer e rasgou elogios à performance do "Mineiro". A felicidade estampada no rosto do guarujaense ao término da bateria, mostrou o orgulho de um trabalho bem-feito, que não começou agora, nem no ano passado. É um planejamento a dedo compromissado entre ele e seu manager, Luis "Pinga", que rola desde que nosso ídolo vislumbrou uma carreira no Circuito Mundial.
Como Adriano estourou muito cedo, a cobrança em cima dele vem de longa data. Esquecemos que ele tem apenas 21 anos, que ainda vai ter muitas temporadas para melhorar seu desempenho nas tão faladas "ondas de verdade". O mais difícil ele já fez, que é aceitar sua deficiência e correr atrás do prejuízo, viajando para lugares onde possa se aprimorar. Um típico sinal de humildade, determinação e, por que não, maturidade, que falta para muitos surfistas de nossa terra. Com certeza é determinante o apoio que a Oakley lhe oferece, pois só com uma baita verba é possível viajar tanto sem preocupações. Mas creio que a vontade de se tornar um cara respeitado pelo que faz em sua profissão é um combustível importante na busca por um lugar ao sol. Não adianta ter grana se não há vontade. E nesse caso, uniu-se o útil ao agradável.
Me causa enorme alegria saber que os frutos de um trabalho de longo prazo começam a dar resultados na carreira de um surfista no Brasil, pois talvez alguém seja esperto e imite esse bom exemplo. Faltam oito etapas para conhecermos os melhores do planeta em 2008 e Mineirinho é o sexto do ranking até o fechamento desta edição, posição que lhe garante confiança e tranqüilidade daqui para a frente. Tenho certeza de que a segurança adquirida com performances tão consistentes, em um lugar tão temido, fará nosso garoto buscar seus limites, que só Deus sabe quais são. Se o sucesso não lhe subir à cabeça e se ele mantiver sua estratégia de aprender, tenho absoluta convicção de que o Brasil finalmente pode ter um surfista completo, capaz de competir em qualquer condição.
Mais importante ainda do que almejar colocações em Circuitos, é o compromisso em evoluir como homem e profissional. Todo o restante é apenas conseqüência dessa evolução. Bruninho conquistou estupendamente o evento, mas, para mim, parece que o grande vencedor em Teahupoo foi Adriano de Souza.
Fiquei pasmo ao assistir a primeira bateria de "Mineirinho" no evento. Sei que, há muito tempo, ele treina no pico inclusive tendo a companhia de um professor e tanto na sua primeira vez, Danilo Costa, surfista com alta quilometragem nos canudos. Mas não esperava a exibição exuberante com que fui brindado. Acho quem ninguém que estava de olho na telinha de computador ou na tela de TV acreditou quando o paulista dropou de grab rail e se moveu por dentro das pesadas esquerdas com a maestria de um havaiano. E mais, para mostrar ao mundo que não era sorte, repetiu o feito seguidas vezes, chegando a somar uma pontuação que beirou a perfeição.
Até o jornalista aussie Nick Carroll, um dos críticos mais ferrenhos do surf brasileiro e que comentava pelo site do evento, deu o braço a torcer e rasgou elogios à performance do "Mineiro". A felicidade estampada no rosto do guarujaense ao término da bateria, mostrou o orgulho de um trabalho bem-feito, que não começou agora, nem no ano passado. É um planejamento a dedo compromissado entre ele e seu manager, Luis "Pinga", que rola desde que nosso ídolo vislumbrou uma carreira no Circuito Mundial.
Como Adriano estourou muito cedo, a cobrança em cima dele vem de longa data. Esquecemos que ele tem apenas 21 anos, que ainda vai ter muitas temporadas para melhorar seu desempenho nas tão faladas "ondas de verdade". O mais difícil ele já fez, que é aceitar sua deficiência e correr atrás do prejuízo, viajando para lugares onde possa se aprimorar. Um típico sinal de humildade, determinação e, por que não, maturidade, que falta para muitos surfistas de nossa terra. Com certeza é determinante o apoio que a Oakley lhe oferece, pois só com uma baita verba é possível viajar tanto sem preocupações. Mas creio que a vontade de se tornar um cara respeitado pelo que faz em sua profissão é um combustível importante na busca por um lugar ao sol. Não adianta ter grana se não há vontade. E nesse caso, uniu-se o útil ao agradável.
Me causa enorme alegria saber que os frutos de um trabalho de longo prazo começam a dar resultados na carreira de um surfista no Brasil, pois talvez alguém seja esperto e imite esse bom exemplo. Faltam oito etapas para conhecermos os melhores do planeta em 2008 e Mineirinho é o sexto do ranking até o fechamento desta edição, posição que lhe garante confiança e tranqüilidade daqui para a frente. Tenho certeza de que a segurança adquirida com performances tão consistentes, em um lugar tão temido, fará nosso garoto buscar seus limites, que só Deus sabe quais são. Se o sucesso não lhe subir à cabeça e se ele mantiver sua estratégia de aprender, tenho absoluta convicção de que o Brasil finalmente pode ter um surfista completo, capaz de competir em qualquer condição.
Mais importante ainda do que almejar colocações em Circuitos, é o compromisso em evoluir como homem e profissional. Todo o restante é apenas conseqüência dessa evolução. Bruninho conquistou estupendamente o evento, mas, para mim, parece que o grande vencedor em Teahupoo foi Adriano de Souza.



