Rodrigo "Sininho" bem que ficou com vontade de comprar um terreno na América Central, mas como estava fora do seu alcance monetário, garantiu sua cota de ondas no talento mesmo.


Onda verde > Na Fluir de julho10/07/2008 - 15h27

América Central à venda

Quanto tempo será que falta para os últimos dias do verão sem fim?
Por Adrian Kojin - adrian.kojin@edpeixes.com.br
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Já estávamos de partida, após quatro dias surfando uma das ondas mais conhecidas da Costa Rica, na província de Guanacaste, costa norte do Pacífico, quando um dos "locais" mais antigos do pico fez o pedido - e pelo que me foi passado, até que de maneira bem educada: "por favor, não coloquem o nome da onda na matéria". Ao escutar nosso fotógrafo, Kalani Brito, relatar o ocorrido, dei risada. Solicitações dessa ordem são compreensíveis. Especialmente se o lugar for pouco conhecido, virgem, ou quase. Mas não fazem sentido algum no caso de uma praia que o filme Endless Summer II escancarou sem dó para milhões de espectadores ao redor do mundo. Isso sem falar nas inúmeras matérias em revistas de surf e nos vários vídeos gravados ali.

Mais ainda, o pico tem um hotel que leva seu nome e fica de frente para a onda. Neste mesmo dia, dos mais de trinta surfistas na água, apenas dois eram ticos (como são chamados os nativos da Costa Rica), e um deles estava viajando conosco. Além do que, sempre que entra um swell, dois fotógrafos, um americano e um espanhol, dão plantão na areia, tirando fotos de quem está no mar e postando as mesmas em seus sites ao final do dia. Para completar, nos arredores brotam como praga condomínios e casas numa velocidade assustadora e a profissão mais lucrativa da região é a de corretor de imóveis. "Tá limpo", pensei, "para que levarmos uma culpa que não é nossa", e decidi que não iríamos colocar o nome do pico na matéria que estávamos fazendo. E não vamos. E não vai fazer diferença nenhuma. Para o bem ou para o mal.

O crowd, que já incomoda, vai continuar aumentando e o local entre aspas - ele veio parar ali como qualquer outro estrangeiro em busca de um paraíso tropical - vai seguir olhando torto pra quem chegou "atrasado", sem ter como impedir o avanço de um processo de ocupação do qual ele também faz parte. Inevitavelmente, com o asfalto, que já está pertinho e avançando cada dia um pouco mais, passando bem em frente ao pico, não vai ter jeito, e a pergunta que ninguém quer escutar vai ecoar cada vez mais alto: quanto tempo será que ainda falta para os últimos dias do verão sem fim?
(Confira a íntegra da matéria na edição de julho da Fluir, já nas bancas).



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