Visual do barco encalhado na bancada de Padang, em Bali.

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Onda verde > Indonésia18/07/2008 - 15h53

Estacionamento proibido

Barco de pesca taiwanês encalha na bancada de Padang Padang, em Bali, e causa confusão a poucos dias do início da quinta etapa do WCT na mais famosa ilha da Indonésia.
Por Redação Fluir
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No último sábado, os surfistas que acordaram cedo para checar as condições de Padang Padang, uma das melhores e mais famosas esquerdas da Indonésia, tiveram uma surpresa: um barco pesqueiro de 150 pés estava encalhado exatamente no line-up do pico, onde a galera se posiciona para pegar as ondas. Passado o primeiro impacto, começaram as especulações sobre como teria rolado o incidente. Não demorou muito para os locais descobrirem que se tratava de um barco proveniente de Taiwan, que vinha pescando ilegalmente em águas indonésias. Por isso, logo depois da "encalhada", os tripulantes pegaram todos os documentos que podiam do barco e fugiram em direção ao Bukit. Entre arcar com as multas da pesca ilegal e os custos para retirar o barco dali, eles preferiram simplesmente sumir do mapa.

Os nativos rapidamente foram conferir o que havia sobrado no barco e encontraram quilos de peixe congelado nas geladeiras do porão. Entre os quase 500 tipos (cuja pesca é ilegal) estavam enormes atuns, barracudas e tubarões. Além disso, eles levaram também itens como roupas, cadeiras, equipamentos de radar e tudo mais que fora deixado pela tripulação. Outros surfistas locais, como Made Bol e Rizal Tanjung, foram experimentar as ondinhas que quebravam do lado do barco, que acabou virando uma espécie de "reef" artificial. Mas a parte cômica da história acaba por aqui. A superfície da água no local já está infestada de óleo e o cheiro incomoda. Até ontem não havia swell, mas nesta sexta uma nova ondulação entrou em Bali e empurrou o barco mais pra dentro da bancada, próximo ao costão de pedras.

Se agora o barco não atrapalha mais a trajetória dos surfistas na onda, ficou bem mais difícil de tirá-lo de lá. Primeiro porque isso só pode ser feito na maré cheia, e a semana não tem previsão de nenhuma maré alta o suficiente. Segundo, porque não existe nenhum esforço da polícia marítima local para tanto. Segundo o brasileiro Darcy Guimarães, que vive em Bali parte do ano, já houve duas tentativas, em vão, de rebocar a embarcação: "Tentamos remover o barco com a ajuda de dois jet-skis e dez barcos pesqueiros, mas apesar dos esforços, foi tudo em vão. A polícia marítima balinesa sugeriu que não seria necessário um rebocador de maior porte para o serviço. O mar já se encontra com uma borra de óleo na superfície e se vazar mais o estrago será muito grande aqui na área. É muito triste", escreveu Darcy por e-mail.

Pelo visto, se as autoridades balinesas não considerarem a gravidade da situação, vai acabar sobrando para a Rip Curl tomar alguma atitude, já que faltam apenas doze dias para o início da etapa móvel do WCT patrocinada pela empresa, que este ano será realizada em Bali nas ondas de Uluwatu ou Padang Padang, dependendo do swell. Se o crowd já é um problema real no pequeno outside de Padang, com um barco de 150 pés encalhado no pico o problema aumentou na mesma proporção.



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