A dura tarefa de voltar ao rip
O tempo voa, a idade pesa e se bobear, você vai ter de suar como nunca para dar suas batidas novamente.
Por Alex Guaraná - guarana@edpeixes.com.br
Estou me preparando para a primeira surf trip internacional em quase três anos. Pode ser difícil de acreditar, mas mesmo com meu trabalho de editor chefe da FLUIR, era difícil para mim viajar devido a enorme carga de tarefas.
Junto com sete camaradas, uns excelentes surfistas e outros não tão talentosos mas igualmente apaixonados, vou partir no final de julho para a América Central, disposto a curtir alguns dias longe da cidade grande e procurando um pouco de emoção nesta fase mais distante do surf. Sim, meu dia-a-dia, mesmo morando de novo em frente à praia, não me concede muito tempo disponível para pegar onda. Chego a acreditar que surfava mais quando estava em São Paulo do que neste um ano e meio de volta ao Rio de Janeiro.
Pois bem, depois de certa idade, no meu caso 41 anos, fica complicado recuperar a velha forma. E não tem coisa pior para um surfista do que saber que tem talento para executar uma manobra, mas não consegue ao menos entrar na onda pela falta de remada. E situações ridículas somam-se a isso, como vacar no drop, dar de borda, deixar a prancha escorregar na hora de remar... Vexames que nunca se esperou passar. Como um cara que surfa há quase trinta anos pagaria esses micos?
É aí que entram a humildade e a determinação. Primeiro, saber que você não tem mais aquele corpinho de anos atrás. A potência não é a mesma, os reflexos idem, e a recuperação mais demorada. Se antes ficava cinco horas dentro d'água, hoje 120 minutos parecem uma maratona. Segundo, perceber que aquela 6'0" maroleira em que você voava não tem mais a mesma performance com você em cima dela. É melhor usar a empoeirada 6'2", que fica mais estável. Terceiro, se tocar de que não será apenas surfando que voltará aos anos de ouro. Praticar uma atividade física paralela, como natação ou musculação, ajuda no reforço respiratório e muscular, facilitando a vida na hora das longas remadas.
E o mais importante, não deixar de ter alegria com o surf. É fundamental manter a chama acesa dentro de si. Evitar que a preguiça o afaste do mar é ponto crucial no retorno. Afinal de contas, se o tempo é curto, precisa-se acordar mais cedo, tipo seis da matina, antes até do sol raiar. Apesar de despertar tão cedo e agüentar as broncas da mulher que reclama que você faz barulho e dorme às nove da noite, o crowd é inexistente nesse horário e não precisa passar filtro solar. Seguindo todos esses conselhos, melhoram as chances de se aproveitar mais a viagem. Pelo menos é assim que venho fazendo.
Confesso, que depois de surfar algumas ondas maravilhosas mundo afora, fiquei desmotivado com o que tem por nossas bandas. A gente empenha-se em preparar-se para uma trip, mas quando volta e olha o que rola em frente de casa, fica se perguntando se vale a pena deixar o lar, a família, o trabalho para encarar um meio metro mexido e com vento. Como estou excitado por causa da viagem, meu nível de exigência está profundamente menor e qualquer coisa está valendo para dar uma queda, porém é duro ter de recuperar a forma em ondas ruins.
Pela minha experiência, sei que quando chegar ao lugar, provavelmente tudo dará certo, pois as ondas perfeitas ajudam bastante na hora de surfar, mas a pulga fica atrás da orelha perturbando: "Ih, vai gastar dinheiro à toa! Era melhor ir fazer uma viagem com sua mulher para Orlando, Paris, ou quem sabe Buenos Aires!".
Como está fora de questão abandonar a trip de surf, o negócio é jogar de lado esta agonia em querer mostrar que ainda mando bem e curtir o desejo comum de diversão com meus camaradas, aproveitando a oportunidade de viver momentos únicos com pessoas que amam as ondas tanto como eu.
Pode parecer desculpa de quem sabe que o tempo passou, e realmente é! Em vez de sentir-me exultante por mostrar meu talento, chegou a hora de aproveitar a natureza, viver um momento mágico o qual tenho a sorte e felicidade de poder ter. O importante agora será curtir estes 10 dias voltados exclusivamente para surfar com a galera. Que se dane se vou arrepiar.
Bem, por via das dúvidas, vou continuar meu programa de treinamento porque, quem sabe, posso dar uma zoada em algum camarada que já tenha tido seus dias de glória e hoje tem a vida similar a minha. Afinal, entre curtir o real feeling do surf e ser competitivo, fico com os dois, pois tirar sarro e dar uma sacaneada de leve não deixa de ser uma expressão pura e honesta dos primórdios do nosso estilo de vida.
Junto com sete camaradas, uns excelentes surfistas e outros não tão talentosos mas igualmente apaixonados, vou partir no final de julho para a América Central, disposto a curtir alguns dias longe da cidade grande e procurando um pouco de emoção nesta fase mais distante do surf. Sim, meu dia-a-dia, mesmo morando de novo em frente à praia, não me concede muito tempo disponível para pegar onda. Chego a acreditar que surfava mais quando estava em São Paulo do que neste um ano e meio de volta ao Rio de Janeiro.
Pois bem, depois de certa idade, no meu caso 41 anos, fica complicado recuperar a velha forma. E não tem coisa pior para um surfista do que saber que tem talento para executar uma manobra, mas não consegue ao menos entrar na onda pela falta de remada. E situações ridículas somam-se a isso, como vacar no drop, dar de borda, deixar a prancha escorregar na hora de remar... Vexames que nunca se esperou passar. Como um cara que surfa há quase trinta anos pagaria esses micos?
É aí que entram a humildade e a determinação. Primeiro, saber que você não tem mais aquele corpinho de anos atrás. A potência não é a mesma, os reflexos idem, e a recuperação mais demorada. Se antes ficava cinco horas dentro d'água, hoje 120 minutos parecem uma maratona. Segundo, perceber que aquela 6'0" maroleira em que você voava não tem mais a mesma performance com você em cima dela. É melhor usar a empoeirada 6'2", que fica mais estável. Terceiro, se tocar de que não será apenas surfando que voltará aos anos de ouro. Praticar uma atividade física paralela, como natação ou musculação, ajuda no reforço respiratório e muscular, facilitando a vida na hora das longas remadas.
E o mais importante, não deixar de ter alegria com o surf. É fundamental manter a chama acesa dentro de si. Evitar que a preguiça o afaste do mar é ponto crucial no retorno. Afinal de contas, se o tempo é curto, precisa-se acordar mais cedo, tipo seis da matina, antes até do sol raiar. Apesar de despertar tão cedo e agüentar as broncas da mulher que reclama que você faz barulho e dorme às nove da noite, o crowd é inexistente nesse horário e não precisa passar filtro solar. Seguindo todos esses conselhos, melhoram as chances de se aproveitar mais a viagem. Pelo menos é assim que venho fazendo.
Confesso, que depois de surfar algumas ondas maravilhosas mundo afora, fiquei desmotivado com o que tem por nossas bandas. A gente empenha-se em preparar-se para uma trip, mas quando volta e olha o que rola em frente de casa, fica se perguntando se vale a pena deixar o lar, a família, o trabalho para encarar um meio metro mexido e com vento. Como estou excitado por causa da viagem, meu nível de exigência está profundamente menor e qualquer coisa está valendo para dar uma queda, porém é duro ter de recuperar a forma em ondas ruins.
Pela minha experiência, sei que quando chegar ao lugar, provavelmente tudo dará certo, pois as ondas perfeitas ajudam bastante na hora de surfar, mas a pulga fica atrás da orelha perturbando: "Ih, vai gastar dinheiro à toa! Era melhor ir fazer uma viagem com sua mulher para Orlando, Paris, ou quem sabe Buenos Aires!".
Como está fora de questão abandonar a trip de surf, o negócio é jogar de lado esta agonia em querer mostrar que ainda mando bem e curtir o desejo comum de diversão com meus camaradas, aproveitando a oportunidade de viver momentos únicos com pessoas que amam as ondas tanto como eu.
Pode parecer desculpa de quem sabe que o tempo passou, e realmente é! Em vez de sentir-me exultante por mostrar meu talento, chegou a hora de aproveitar a natureza, viver um momento mágico o qual tenho a sorte e felicidade de poder ter. O importante agora será curtir estes 10 dias voltados exclusivamente para surfar com a galera. Que se dane se vou arrepiar.
Bem, por via das dúvidas, vou continuar meu programa de treinamento porque, quem sabe, posso dar uma zoada em algum camarada que já tenha tido seus dias de glória e hoje tem a vida similar a minha. Afinal, entre curtir o real feeling do surf e ser competitivo, fico com os dois, pois tirar sarro e dar uma sacaneada de leve não deixa de ser uma expressão pura e honesta dos primórdios do nosso estilo de vida.



