Guigui passando por dentro na sua primeira queda na Sumatran Pipe.

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Surfari > FLUIR de agosto05/08/2008 - 12h35

Além do círculo de fogo

Em busca de novos horizontes na Sumatra.
Por Steven Allain - stevenallain@edpeixes.com.br
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"E você só nos conta isso agora?", perguntou Guigui com cara de espanto. Acabávamos de decolar do aeroporto de Jakarta, capital da Indonésia, rumo a Sumatra, ilha vizinha, quando comecei a descrever nosso destino para o restante do grupo - composto pelos surfistas Willian Cardoso, Tiago Bianchini e Wiggolly "Guigui" Dantas, o fotógrafo Sebastian Rojas e o videomaker catarinense Pablo Aguiar.

Nosso objetivo era conhecer e surfar as ondas ao redor da pequena cidade de Krui, no sul da Sumatra - em especial a esquerda de "Way Jambu", também conhecida como "Sumatran Pipe". Não havia dúvidas de que, em questão de ondas, a área tinha enorme potencial. Já ouvira relatos de que por ali existiam picos de qualidade - e as vizinhas Mentawai e Nias eram a prova de que a região é abençoada por fortes ondulações e intermináveis bancadas de coral.

O espanto de Guigui veio quando expliquei que nosso destino sofrera uma série de desastres naturais nos últimos anos. Isso porque a Sumatra se encontra na divisa entre o "Círculo de Fogo do Pacífico" e o "Alpide Belt". O primeiro é uma área que delimita a placa tectônica do Pacífico, onde ocorrem 90% dos terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas do planeta. O segundo, é uma faixa montanhosa que começa milhares de quilometros ao norte, nos Himalayas, e vai até a ilha de Java, Indonésia, passando pela Sumatra. Sua convergência faz da região uma das mais instáveis do mundo e segundo especialistas, tudo indica que desastres naturais de proporções catastróficas são apenas questão de tempo.

Por um lado, compartilhava a apreensão de Guigui. Mas por outro, a idéia de aventurar-me num lugar perigoso e desolado em busca de uma onda praticamente desconhecida era muito atraente. E quanto mais difícil e perigosa a empreitada, maior o valor da descoberta. De mente e peito abertos, rumávamos ao desconhecido com disposição total.
(Confira a íntegra da matéria na edição de agosto da FLUIR, já nas bancas).



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