Sebastian Rojas ministra workshop teórico e prático sobre fotografia aquática em condições extremas, no fim de setembro em Curitiba.

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Entrevistas25/09/2008 - 10h21

Sebastian dá a letra

Sebastian Rojas ministra neste fim de semana, em Curitiba (PR), curso teórico e prático sobre fotografia de surf.
Por Redação Fluir
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Muitas vezes, os leitores da Fluir quando apreciam as fotos na revista não se dão conta das dificuldades envolvidas no processo de trabalho. Pensam apenas no glamour das viagens a lugares paradisíacos, ou no status que representa ter a imagem publicada no principal veículo especializado do país, visto por tantas pessoas. Mas para quem está determinado a se aprofundar no assunto, e até mesmo pensa em seguir a profissão de fotógrafo de surfe, a Portfolio Escola de Fotografia realiza, nos dias 26 a 28 de setembro, um workshop teórico e prático com Sebastian Rojas, especialista em fotografia aquática em condições extremas e membro do staff da Fluir por mais de vinte anos. Neste período, ele assinou mais de 100 capas e centenas de matérias em lugares como Hawaii, Indonésia, Austrália, México, África e Brasil.

No primeiro dia do curso, sexta-feira, a aula vai das 14h às 17h e das 19h às 22h, na sede da Escola Portfolio, em Curitiba. Serão passadas informações diversas sobre como obter resultados rápidos e precisos utilizando equipamentos semiprofissionais na fotografia de surf aquática e terrestre; técnicas de fotografia e equipamentos utilizados pelos fotógrafos profissionais mais experientes do mundo em fotografia de surf. Além disso, Sebastian contará os segredos da sua história de sucesso na fotografia de surfe, e falará sobre as técnicas necessárias para se tornar fotógrafo de revistas, sites e jornais especializados.

A parte prática do curso está reservada para o fim de semana. Às 8h da manhã de sábado, o grupo segue para a Ilha do Mel. Até o fim da tarde de domingo, serão realizadas aulas nas praias que oferecerem as melhores condições para a prática do esporte, com equipamento aquático e acompanhamento em tempo integral do fotógrafo. O curso pode ser pago em duas parcelas de R$ 320. Para alunos e ex-alunos, o valor da parcela cai para R$ 290. Também será dado desconto de 10% para pagamentos à vista. O preço inclui transporte até Pontal do Paraná, barca para a Ilha do Mel e hospedagem na Pousada das Meninas.

Nesta quinta-feira, 25 de setembro, às 19h30, Sebastian Rojas participa de um bate-papo na FNAC no Shopping Barigui, em Curitiba, sobre a fotografia de surfe, área em que atua há mais de 22 anos com vasta experiência internacional. Direto de Bali, na Indonésia, Rojas concedeu a entrevista abaixo.

Fale um pouco sobre a rotina de um fotógrafo de surf.

A rotina é muito peculiar, pois a natureza comanda as suas ações. Acordar bem cedo, estar conectado com as condições do mar e do tempo é imprescindível. A internet tem sido uma ferramenta de observação indispensável sobre o que vai acontecer com as ondas, ventos, etc... A natureza é imprevisível, o que torna mais excitante essa profissão. Estamos sempre em busca do desconhecido, do surpreendente. Se tomar as decisões certas baseadas em informações e um pouco de feeling, poderá conseguir ótimos resultados.

Como está o mercado de fotografia de surf no Brasil? E no exterior?

O mercado no Brasil é bem movimentado, mais ainda um pouco amador no que se refere aos fotógrafos e a forma como se negociam os trabalhos. Nosso produto não está sendo valorizado pelas marcas de surf como deveria, e isso tem muito a ver com a forma como os fotógrafos colocam preço em seus trabalhos. A fotografia digital revolucionou o mercado de uma forma um pouco desorganizada. Hoje se fotografa surf muito mais, mas se ganha muito menos. O mercado está com carência de atitudes profissionais na fotografia de surf. Tem muito fotógrafo que começa vendendo seus trabalhos por qualquer valor pra se manter vivo no mercado. Os profissionais que já estão atuando há anos e possuem experiência em viagens internacionais e em várias áreas, como lifestyle, fotografia aquática, moda, etc. Encontraram novos desafios pra fazer esse mercado entender que os seus investimentos em equipamentos e viagens são altos e por isso devem ser muito melhor remunerados e valorizados pelas marcas e revistas do segmento.

O que o levou a seguir a profissão?

A escolha foi passional, uma vontade incrível de ver o mundo do mar para a praia, de dentro d'água e interagindo com os surfistas e as forças da natureza. E em nenhum momento foi pensando no lado financeiro. Essa recompensa veio com o tempo, dedicação e muita estrada.

Você trocaria seu trabalho por algum outro?

Não trocaria a liberdade de expressão que consigo na fotografia de surf por nada desse mundo, adoro a agressividade que é fotografar dentro d'água, as ondas açoitam o corpo da gente, as correntes e os ventos ditam o rumo, o surfista passa em velocidade e muito perto às vezes, e isso é um perigo constante, mas incrivelmente desafiador. Estar dentro desse mundo é divertido e excitante.

E quais são os pontos negativos da profissão?

O prazer diminui quando temos pela frente um mercado desorganizado como o atual. Muita gente nova, perdida sem saber o que fazer pra se tornar profissional do surf. Se eu te falar que os desprazeres podem estar ligados diretamente com a relação à natureza é mentira. Ficar um mês sem ondas e não conseguir fotografar é duro também, mas isso passa e as coisas voltam a acontecer. Outra dura realidade é que temos que fazer seguro de tudo o quanto for possível. Perder equipamentos fotográficos para o mar ou ladrões se tornou uma constante em nossas carreiras, e isso custa caro. Por isso a necessidade de se valorizar os esforços quando conseguimos uma boa foto.

Que características deve ter um bom fotógrafo de surf?

As características do fotógrafo de surf devem ser de um cara que é apaixonado pelo surf em primeiro lugar. Esse meio pode lhe trazer muita cultura, autoconhecimento e paixão pelo desconhecido. Gostar do perigo e dos desafios que representam fotografar em dias de mares bravios. Ser profissional nas atitudes e saber se relacionar com o mercado.

Quanto é necessário investir para ter equipamento necessário?

O investimento pode variar de acordo com cada um. Se o cara quer fotografar dentro d'água, ele gasta menos. Talvez uns US$ 4 mil seja suficiente. De fora d'água pode-se ter várias opções, eu diria que um bom equipamento pra começar pode custar entre US$ 5 a 7 mil.

O que você pode adiantar sobre o curso na Ilha do Mel?

O curso será um marco na vida de cada participante, pois lá estarei passando aos alunos a experiência que adquiri nesses anos de carreira na fotografia de surf e tudo que a envolve, suas manhas e truques pra se conseguir resultados satisfatórios para iniciantes a avançados. E o melhor é que será praticando dentro e fora d'água.

*Colaborou Gustavo Vieira Rodrigues
Portfolio Escola de Fotografia
(041) 3252-2540 info@estudioportfolio.com.br / www.escolaportfolio.com.br
Rua Alberto Folloni, 634 A, Centro Cívico, Curitiba (PR).



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