Colunas > Na lata15/09/2008 - 14h56

O que seria de nós sem a internet?

Com as transmissões on-line das etapas do ASP World Tour podemos ver realmente o que acontece no mundo competitivo do surf profissional.
Por Alex Guaraná - guarana@edpeixes.com.br
Tamanho do texto: A  A  A
Ainda me lembro quando o niteroiense Mano Ziul, em 1999, chegou a mim, ao Pedro Falcão e ao Marcelo Andrade, com a idéia de transmitir as etapas da OSP (Organização do Surfistas Profissionais do RJ) ao vivo pela internet. Sinceramente, achei uma viagem e tanto do genial Mano. Não consegui vislumbrar que aquilo revolucionaria o surf.
Dez anos depois, com transmissões ao vivo pela internet de qualquer canto do mundo, os fãs do Top 45 podem assistir do conforto de suas casas o que de melhor existe no surf profissional. Essa possibilidade, serviu para a evolução do esporte em vários lugares, em especial no Brasil, o segundo país com mais horas dedicadas a internet no globo.

Agora, você pode olhar aquele aéreo insano do Bruce Irons, assistir com replay e tudo a técnica de entubar de backside de Kelly Slater e ver a nítida melhora de Adriano de Souza em suas performances. Um feito que quebrou alguns tabus, entre eles de que o mundo conspirava contra o Brasil.
Com cerca de dez eventos distribuídos ao redor da Terra, fica quase impossível acompanhar o Circuito Mundial sem condições financeiras para tal. Se os surfistas reclamam disso, imagine as redações de revistas e sites especializados, com muito menos verba.

Com o advento da internet, agora podemos ter uma base para emitir opiniões centradas em fatos, sem o discurso de poucos, que chegavam por aqui com frases feitas e desculpas mil. Nem o fã pode ser enganado mais. Para confirmar isso basta dar uma espiada no fórum do site Waves, o campeão de reclamações e bate-bocas virtuais no meio do surf.
Logicamente conversa de torcedor na maioria das vezes é movida a paixão e rivalidade porém vez ou outra, e cada vez com mais freqüência, surgem comentários pertinentes, o que prova que o torcedor brazuca está se educando, aprendendo a compreender o julgamento subjetivo mas honesto da ASP.

Os jornalistas especializados é que agora estão com uma batata quente na mão pois antes era moleza pegar o discurso de perdedor prejudicado e jogar ao léu para os outros terem uma realidade falsa. Agora, precisam mais do que nunca avaliar com sobriedade, emitir opinião, sem ficar em cima do muro, e criticar de forma construtiva o que rola no surf brasileiro.
Quem quiser ser respeitado como especialista neste assunto precisa deixar de lado o nacionalismo barato e pseudo-amizade com surfistas e começar a se importar com o futuro a médio e longo prazo. Sim, porque neste momento, temos uma importante ferramenta diante dos nossos olhos que nos possibilita, mesmo estando a milhares de quilômetros de distância, avaliar todo um planejamento.

Vendo o WCT 2008 até agora pela internet sei que Jihad Khodr precisa melhorar bastante em esquerdas tubulares. Que Neco e Pedra necessitam repensar como estão surfando. Que o Heitor pode ser um belo trunfo nos próximos anos. Que Léo tem punch para figurar entre os grandes. Que Mineiro é um surfista completamente diferente de 2007.

Enfim, o que eu vejo, você vê. Se eu posso analisar e opinar, você também pode. Tudo por causa do gênio Mano Ziul, um brasileiro que fez muito mais pelo surf do que ele imagina. Se hoje, posso acordar as duas da manhã, pegar umas bolachas, meu fone de ouvido, chave de baterias, bloco de anotações e caneta e ficar confortavelmente sentado na minha poltrona para assistir aos melhores do mundo em condições sensacionais, é graças a ele e o time da Beach & Bite, os "Slaters" da informática.



Previsão das ondas

Fluir no Orkut