A saga dos nove
Veja a trajetória de Kelly Slater até o nono título mundial. Adriano Mineirinho pega Joel Parkinson nas quartas-de-final do Billabong Pro Mundaka.
Por João Carvalho - joaocarvalho@matrix.com.br
O norte-americano Kelly Slater confirmou seu nono título mundial na nona etapa do ASP World Championship Tour 2008, como já era esperado. Slater não encontrou dificuldades para superar o espanhol Eneko Acero e ainda voltou ao mar depois da comemoração do eneacampeonato para disputar as oitavas-de-final. Mas, para a conta dos nove ficar exata, teve sua faixa carimbada pelo australiano Tom Whitaker e terminou em nono lugar no Billabong Pro Mundaka. Agora, coleciona mais um recorde na história do esporte ao se tornar o campeão mundial mais velho, aos 36 anos de idade.
Em 1992 ele foi o mais jovem com apenas 20 anos, depois foi o mais jovem a ser bicampeão em 1994, o mais jovem tricampeão em 1995, o mais jovem tetracampeão em 1996 e ninguém conseguiu mais de quatro títulos como o maior fenômeno do surfe em todos os tempos. Slater foi aumentando a conta para cinco em 1997 e depois do hexacampeonato em 1998, pediu licença do circuito para cuidar da vida pessoal e desenvolver outros projetos profissionais.
Quando decidiu voltar, encontrou inspiração na tentativa de superar o havaiano Andy Irons, que dominou o WCT com um tricampeonato consecutivo em 2002, 2003 e 2004. O sétimo título mundial de Kelly Slater veio em 2005 na etapa brasileira do WCT em Imbituba, no litoral sul de Santa Catarina, exatamente sete anos depois do último que ele havia conquistado em 1998. Aí foi campeão antecipadamente na Espanha em 2006 e a nova série de títulos foi quebrada pelo australiano Mick Fanning novamente na praia da Vila, em Imbituba, palco do Hang Loose WCT Brasil 2008 de 28 de outubro a 5 de novembro em Santa Catarina.
Agora a busca será pelo décimo título no ano que vem. O eneacampeão foi perguntado se imaginava que isso um dia poderia acontecer quando conquistou seu primeiro título 16 anos atrás. "Nunca pensei nisso, nunca nem passou pela minha cabeça que poderia conseguir isso. É tudo muito louco! Acho que eu estava mais feliz neste ano, com as mudanças na minha vida pessoal, tenho trabalhado minhas pranchas, minha mente, minhas emoções, acredito que tudo acabou refletindo nas competições, então estou muito feliz por tudo, foi um ano fantástico".
"Em 1996 eu tive um bom ano - venci sete de 13 etapas. Depois, venci cinco de 12, mas nos dois anos eu tinha nonos lugares no fim da temporada. Este ano eu venci cinco etapas de oito, tenho um segundo e ainda um descarte para contar. É o ano mais vitorioso da minha carreira sem dúvida".
Realmente fantástico, pois Kelly Slater já largou bem no ASP Tour 2008 vencendo as duas primeiras etapas na Austrália, inclusive batendo o defensor do título Mick Fanning na primeira final do ano na Gold Coast. Depois, tropeçou no tahitiano Manoa Drollett na vitória do brasileiro Bruno Santos no Tahiti. Aí vieram mais duas vitórias seguidas de Slater nas Ilhas Fiji e na África do Sul, até o português Tiago Pires se tornar o primeiro Top do WCT a ganhar uma bateria dele na temporada, isso já na sexta etapa, na Indonésia.
O tropeço impediu que ele garantisse o eneacampeonato já na sétima em casa nos Estados Unidos, onde colecionou mais uma vitória. Chegou na final também na França e poderia confirmar o nono título se vencesse o evento promovido pelo seu patrocinador, a Quiksilver. Só que o australiano Adrian Buchan adiou a decisão ao conquistar sua primeira vitória na carreira. Mas, tudo ficou mais fácil, chegando nas oitavas-de-final na Espanha o eneacampeonato estaria garantido e foi isso que aconteceu!
Relaxado depois de tanta comemoração, entrevistas e até o tradicional salto da vitória no rio de Mundaka, Kelly Slater voltou ao mar para enfrentar o australiano Tom Whitaker, que acabou fazendo o maior placar do dia - 18 pontos, com direito a nota 10 - para carimbar a faixa do campeão de 2008 na Espanha. Agora, a briga é pelo vice-campeonato e os quatro concorrentes mais diretos avançaram para as quartas-de-final do Billabong Pro Mundaka. O paulista Adriano de Souza é um deles.
Apesar de ter caído para a quinta posição com o descarte do pior resultado que começa a ser trocado a cada etapa daqui até o final do ano, Mineirinho pode conseguir essa posição que seria inédita para o Brasil. Ele teve trabalho para superar o veterano Michael Campbell na abertura das oitavas-de-final por 17,27 x 16,43 pontos e vai pegar outro australiano nas quartas-de-final, um concorrente direto pelo vice-campeonato mundial, Joel Parkinson.
Já os outros dois brasileiros que competiram na sexta-feira acabaram eliminados da competição e terminaram empatados em 17º lugar com Jihad Khodr. Um dia antes, o paranaense perdeu o confronto verde-amarelo que abriu a terceira fase para Adriano de Souza. O carioca Leonardo Neves foi barrado pelo bicampeão do Billabong Pro, Bobby Martinez e na disputa seguinte, que fechou a terceira fase, o cearense Heitor Alves perdeu por décimos de diferença para Luke Stedman, com o australiano conseguindo a última vaga nas oitavas-de-final por 10,84 x 10,10 pontos.
Alguns recordes de Kelly Slater no circuito mundial
Mais títulos mundiais: nove (2008, 2006, 2005, 1998, 1997, 1996, 1995, 1994, 1992)
Mais vitórias em etapas: 39
Campeão mundial mais jovem: 20 anos em 1992
Campeão mundial mais velho: 36 anos em 2008
Maior placar em baterias: 20 pontos com duas notas 10 na final do Tahiti em 2005
Maior número de vitórias na mesma temporada: sete etapas em 1996
Billabong Pro Mundaka - quartas-de-final
1 Joel Parkinson (AUS) x Adriano de Souza (BRA)
2 Adrian Buchan (AUS) x Tom Whitaker (AUS)
3 Taj Burrow (AUS) x C. J. Hobgood (EUA)
4 Bede Durbidge (AUS) x Luke Stedman (AUS)
Em 1992 ele foi o mais jovem com apenas 20 anos, depois foi o mais jovem a ser bicampeão em 1994, o mais jovem tricampeão em 1995, o mais jovem tetracampeão em 1996 e ninguém conseguiu mais de quatro títulos como o maior fenômeno do surfe em todos os tempos. Slater foi aumentando a conta para cinco em 1997 e depois do hexacampeonato em 1998, pediu licença do circuito para cuidar da vida pessoal e desenvolver outros projetos profissionais.
Quando decidiu voltar, encontrou inspiração na tentativa de superar o havaiano Andy Irons, que dominou o WCT com um tricampeonato consecutivo em 2002, 2003 e 2004. O sétimo título mundial de Kelly Slater veio em 2005 na etapa brasileira do WCT em Imbituba, no litoral sul de Santa Catarina, exatamente sete anos depois do último que ele havia conquistado em 1998. Aí foi campeão antecipadamente na Espanha em 2006 e a nova série de títulos foi quebrada pelo australiano Mick Fanning novamente na praia da Vila, em Imbituba, palco do Hang Loose WCT Brasil 2008 de 28 de outubro a 5 de novembro em Santa Catarina.
Agora a busca será pelo décimo título no ano que vem. O eneacampeão foi perguntado se imaginava que isso um dia poderia acontecer quando conquistou seu primeiro título 16 anos atrás. "Nunca pensei nisso, nunca nem passou pela minha cabeça que poderia conseguir isso. É tudo muito louco! Acho que eu estava mais feliz neste ano, com as mudanças na minha vida pessoal, tenho trabalhado minhas pranchas, minha mente, minhas emoções, acredito que tudo acabou refletindo nas competições, então estou muito feliz por tudo, foi um ano fantástico".
"Em 1996 eu tive um bom ano - venci sete de 13 etapas. Depois, venci cinco de 12, mas nos dois anos eu tinha nonos lugares no fim da temporada. Este ano eu venci cinco etapas de oito, tenho um segundo e ainda um descarte para contar. É o ano mais vitorioso da minha carreira sem dúvida".
Realmente fantástico, pois Kelly Slater já largou bem no ASP Tour 2008 vencendo as duas primeiras etapas na Austrália, inclusive batendo o defensor do título Mick Fanning na primeira final do ano na Gold Coast. Depois, tropeçou no tahitiano Manoa Drollett na vitória do brasileiro Bruno Santos no Tahiti. Aí vieram mais duas vitórias seguidas de Slater nas Ilhas Fiji e na África do Sul, até o português Tiago Pires se tornar o primeiro Top do WCT a ganhar uma bateria dele na temporada, isso já na sexta etapa, na Indonésia.
O tropeço impediu que ele garantisse o eneacampeonato já na sétima em casa nos Estados Unidos, onde colecionou mais uma vitória. Chegou na final também na França e poderia confirmar o nono título se vencesse o evento promovido pelo seu patrocinador, a Quiksilver. Só que o australiano Adrian Buchan adiou a decisão ao conquistar sua primeira vitória na carreira. Mas, tudo ficou mais fácil, chegando nas oitavas-de-final na Espanha o eneacampeonato estaria garantido e foi isso que aconteceu!
Relaxado depois de tanta comemoração, entrevistas e até o tradicional salto da vitória no rio de Mundaka, Kelly Slater voltou ao mar para enfrentar o australiano Tom Whitaker, que acabou fazendo o maior placar do dia - 18 pontos, com direito a nota 10 - para carimbar a faixa do campeão de 2008 na Espanha. Agora, a briga é pelo vice-campeonato e os quatro concorrentes mais diretos avançaram para as quartas-de-final do Billabong Pro Mundaka. O paulista Adriano de Souza é um deles.
Apesar de ter caído para a quinta posição com o descarte do pior resultado que começa a ser trocado a cada etapa daqui até o final do ano, Mineirinho pode conseguir essa posição que seria inédita para o Brasil. Ele teve trabalho para superar o veterano Michael Campbell na abertura das oitavas-de-final por 17,27 x 16,43 pontos e vai pegar outro australiano nas quartas-de-final, um concorrente direto pelo vice-campeonato mundial, Joel Parkinson.
Já os outros dois brasileiros que competiram na sexta-feira acabaram eliminados da competição e terminaram empatados em 17º lugar com Jihad Khodr. Um dia antes, o paranaense perdeu o confronto verde-amarelo que abriu a terceira fase para Adriano de Souza. O carioca Leonardo Neves foi barrado pelo bicampeão do Billabong Pro, Bobby Martinez e na disputa seguinte, que fechou a terceira fase, o cearense Heitor Alves perdeu por décimos de diferença para Luke Stedman, com o australiano conseguindo a última vaga nas oitavas-de-final por 10,84 x 10,10 pontos.
Alguns recordes de Kelly Slater no circuito mundial
Mais títulos mundiais: nove (2008, 2006, 2005, 1998, 1997, 1996, 1995, 1994, 1992)
Mais vitórias em etapas: 39
Campeão mundial mais jovem: 20 anos em 1992
Campeão mundial mais velho: 36 anos em 2008
Maior placar em baterias: 20 pontos com duas notas 10 na final do Tahiti em 2005
Maior número de vitórias na mesma temporada: sete etapas em 1996
Billabong Pro Mundaka - quartas-de-final
1 Joel Parkinson (AUS) x Adriano de Souza (BRA)
2 Adrian Buchan (AUS) x Tom Whitaker (AUS)
3 Taj Burrow (AUS) x C. J. Hobgood (EUA)
4 Bede Durbidge (AUS) x Luke Stedman (AUS)



