Pode ter passado 20 anos, mas Fábio Gouveia continua com surf de garoto. Campeche, Florianópolis.


Entrevistas > Na FLUIR de junho06/06/2008 - 15h16

Ontem, hoje e amanhã

Fevereiro marcou os 20 anos desde que Fábio Gouveia escreveu o nome do Brasil na história do surf. Mesmo sendo o então campeão brasileiro amador, Fabinho não era o nome mais badalado da equipe que foi ao Mundial Amador de Porto Rico, em 1988, tentar um título inédito. Mas como em toda a sua carreira, comeu pelas beiradas e tornou-se, para a surpresa de todos, o grande nome do evento e nosso primeiro campeão mundial de surf. A FLUIR foi atrás do “Fabuloso” para relembrar um dos momentos mais marcantes do nosso esporte e ele aproveitou para nos contar como está seu cotidiano e os vários projetos que tem para o futuro.
Por Alex Guaraná - guarana@edpeixes.com.br
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Lembra-se de como você conseguiu a vaga para o Mundial de Porto Rico?

A saga começa em 1987, quando surgiu o Circuito Brasileiro Amador. Na primeira etapa, o OP Pro, realizado na Joaquina, ainda não sabíamos que teria o Circuito. Acho que ele só foi concretizado a partir da segunda etapa, o Lightining Bolt, nas Pitangueiras. Chegaram a ter 12 etapas se não me falha a memória. Fiquei em 3º lugar no OP Pro, mas nem sabia se iria correr os eventos futuros, pois eu não tinha um patrocínio forte, o que acabou pintando durante a temporada devido as minhas boas colocações. Ainda não tinha vencido um evento de âmbito nacional, o que só veio a ocorrer no Intercâmbio Brasil/Estados Unidos, também realizado na Joaquina. Ali foi o pontapé inicial, aprendi a competir de vez e desmistifiquei os bichos-papões da época. No evento seguinte, o Sundek Classic, em Ubatuba, venci. Faturei ainda mais dois na seqüência, o Fico Surf Festival, em Salvador e o Nortão Beach Park, em Fortaleza. Com outras colocações regulares nos dois últimos eventos do ano, Town & Country, em Saquarema e Marambaia, em Floripa, conquistei o Circuito e garanti a vaga para Porto Rico. No início do ano seguinte as coisas não estavam muito claras para mim, pois apesar de ter a vaga garantida, os patrocinadores daquela equipe demoraram a finalizar o processo da viagem. Tanto que quase virei profissional no OP Pro 88, abertura do Circuito Brasileiro Profissional que rolou no Quebra-Mar da Barra da Tijuca, uma semana antes da viagem. Naquela ocasião, havia fechado um acordo com a Hang Loose, porém não consegui estabelecer comunicação com a marca antes da viagem e foi a Mormaii, que já me patrocinava há seis meses, que me deu os dólares para o embarque e descolou uma prancha maior com Ronaldo Barreto da Radical, já que só tinha pranchas pequenas da Custom.

Conte um pouco da viagem de ida para lá, qual expectativa você tinha para o evento?

Eu ainda era meio bicho-do-mato e não tinha idéia do que me esperava. Só pensava em ir e tirar proveito de todas as situações possíveis. Mesmo tendo sido campeão do Circuito Brasileiro Amador, as atenções eram para o Teco (Padaratz) e o (Ricardo) Tatuí, então eu não tinha pressão nenhuma, e sim a vontade de me dar bem.

O ambiente era legal entre os componentes da equipe brasileira? Tinha alguma vaidade?

O ambiente era legal e, se tinha vaidade, eu não sei, porém fiquei meio de escanteio no começo, até que o "Pardal" (Diniz Iozzi), que foi acompanhando a equipe como técnico de Wagner Pupo e Zé Paulo, me resgatou para seu grupo. Mas aquilo foi passageiro e até entendi que tanto o Avelino Bastos quanto o Marcos Conde (os técnicos oficiais do Brasil) tinham de se desdobrar com o trabalho de técnico de toda a equipe como também com seus atletas, já que eles eram donos de marcas (Tropical Brasil e Cristal Graffiti) que patrocinavam metade do time.
(Confira a íntegra da entrevista exclusiva com Fábio Gouveia na edição de junho da Fluir, nas bancas a partir do próximo dia 12).



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