Apesar da eliminação precoce no Billabong SurfEco Festival, Hizunomê Bettero comemora a liderança no WQS.
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Ponto de equilíbrio
No primeiro ano como pai de família, Hizunomê Bettero vive sua melhor temporada no WQS e está confiante em conseguir uma vaga na elite mundial do WCT no ano que vem. Aos 22 anos, o surfista local de Ubatuba, litoral Norte paulista, chegou ao Billabong SurfEco Festival, etapa 5 estrelas do WQS que rola na Bahia, na terceira posição no ranking. Apesar de ter sido eliminado na terceira fase, ele assumiu a liderança depois da derrota do norte-americano Patrick Gudauskas, líder do circuito até então. O brasileiro encerrou sua participação no evento na 49ª colocação, somando apenas 500 pontos. Agora, Bettero vai para a próxima etapa do WQS, na semana que vem no Guarujá, como líder da corrida pelo título da divisão de acesso do mundial. Entre as razões que explicam seu bom desempenho este ano, ele aponta o nascimento do primeiro filho, Orion, de nove meses, que trouxe uma saudável dose de responsabilidade em sua vida. Nesta entrevista exclusiva à FLUIR, Hizunomê (que significa “a cruz equilibrada, espírito e matéria”) fala sobre a expectativa de integrar a elite do Circuito Mundial.
Por Ricardo Macario - rmacario@edpeixes.com.br
Essa etapa poderia ser importante para você aumentar a vantagem no ranking. Como administrar a derrota já pensando em manter o foco para a próxima etapa, no Guarujá?
Agora tenho que manter o foco. Essa prova seria realmente importante se eu tivesse chegado até as quartas-de-final, pois acima disso eu consigo somar os pontos que me interessam, na faixa dos 1.500. Mas não dei sorte na bateria, acho que fiquei um pouco nervoso, escolhi mal as ondas. Mas estou tranqüilo, agora tenho que pensar na etapa do Guarujá, nas Pitangueiras, uma onda que eu conheço melhor e acho que posso me dar bem. Meu objetivo é chegar na etapa de Durban, na África do Sul, mais relaxado, porque depois vai mudar o seeding e aí será o momento de definição no ranking. Eu me dei nas etapas do começo do ano e depois de Durban é que começam a aparecer os atletas que vão entrar na lista dos 15 classificados pelo WQS. Pretendo garantir minha vaga antes da perna havaiana, para competir sem pressão e já pensar no trabalho do ano que vem. Agora vou passar uma semana em casa descansando e treinando para a perna européia.
A que você atribui o seu bom desempenho este ano, na terceira temporada disputando o WQS?
Com certeza o nascimento do meu filho foi decisivo para essa mudança no meu comportamento e na maneira de encarar a vida. Antes eu só queria saber de diversão, ficar com os amigos. Agora tenho algo importante para pensar, um compromisso com alguém. Eu sempre penso nele, que tenho que fazer o meu trabalho bem feito para levar algo de bom para ele. Isso mudou bastante minha vida. E também, no começo do ano eu passei um tempo em casa, fiz um trabalho de fisioterapia para curar minha virilha, que vinha me incomodando bastante. Depois disso as coisas começaram a dar certo. Fui um tempo antes para os campeonatos da Austrália para treinar e deu resultado. Essa é uma das estratégias que adotei, de chegar com antecedência nas ondas que não conheço ou não costumo me dar bem.
Como você administra a vida de pai de família? Procura sempre levar a mulher e o filho nas etapas, como fez nesta?
É diferente agora. Essa preocupação com um filho você só sente quando é pai. Antes eu até sabia que meus pais se preocupavam comigo, mas agora vejo a diferença. Isso é algo que acaba controlando minhas atitudes, penso muito antes de fazer as coisas. Minha mulher é de Ilhéus, onde faz faculdade de fisioterapia, e por isso eles estão aqui comigo neste evento. Eu passo bastante tempo na Bahia quando posso e eles comigo em Ubatuba, mas também viajo muito sozinho. Mas isso não muda em nada a minha responsabilidade de dar o máximo de mim no meu trabalho. Devo ficar este fim de semana em Ilhéus com eles, para depois colocar toda minha concentração nas próximas etapas do WQS.
Você está confiante em conseguir a vaga no WCT este ano? Existe alguma cobrança, tanto interna como de outras pessoas?
Sim, estou confiante. Eu nunca fui de trabalhar sob pressão, procuro ficar tranqüilo e fazer o que sei dentro da água. Já estou em meu terceiro ano disputando o WQS e finalmente consegui alcançar os objetivos que estava perseguindo. Todo ano eu via que era difícil, mas que não era impossível. Vi caras como o Leo Neves e o Rodrigo Dornelles entrarem no WCT sem ganhar nenhuma etapa do WQS. Ainda não ganhei nenhuma, mas estamos na metade do ano e ainda pretendo vencer uma prova até o fim da temporada.
Que lições você tirou das atuações dos brasileiros no WCT neste e nos últimos anos?
Eu venho prestando muita atenção a isso. Para os brasileiros acaba sendo tudo mais difícil, principalmente na questão financeira. Durante a carreira amadora, os gringos sempre treinaram em ondas iradas, Tahiti, Indonésia, e continuam fazendo isso nos intervalos entre as etapas do tour. Já os brasileiros normalmente só conhecem essas ondas quando entram na elite, pois é quando os patrocinadores realmente começam a apostar e acreditar em você. Por isso, às vezes demora um pouco para se adaptar. Sei que não será fácil, mas espero entrar para fazer bonito e me manter no tour.
Você se considera preparado para as ondas e o julgamento do WCT?
Acho que sim, com certeza. No WCT o critério de julgamento é bem mais difícil, mas acredito que meu surf se encaixa no tipo de onda do circuito. Prova disso é que todos os meus últimos bons resultados foram em ondas semelhantes às do WCT, como Noronha e Margaret River, na Austrália, que possuem linha e tubo. Ainda não tive nenhum resultado expressivo no WQS, mas quero conseguir isso ate o fim do ano.
Em que atleta do WCT você se espelha e busca inspiração?
Bem, o Kelly Slater é uma unanimidade e a principal lição que tiro dele é a regularidade. Ele sempre soube manter-se no topo, mesmo depois das adversidades que rolaram na vida dele, retratadas no filme sobre o sétimo título mundial. É um cara que eu me espelho muito. Outro mais recente é o Bobby Martinez, que também admiro bastante pela história de vida e pelo que vem conquistando no surf profissional. E um surfista que sempre me espelhei, principalmente pelo estilo de surf, é o Rob Machado.
Agora tenho que manter o foco. Essa prova seria realmente importante se eu tivesse chegado até as quartas-de-final, pois acima disso eu consigo somar os pontos que me interessam, na faixa dos 1.500. Mas não dei sorte na bateria, acho que fiquei um pouco nervoso, escolhi mal as ondas. Mas estou tranqüilo, agora tenho que pensar na etapa do Guarujá, nas Pitangueiras, uma onda que eu conheço melhor e acho que posso me dar bem. Meu objetivo é chegar na etapa de Durban, na África do Sul, mais relaxado, porque depois vai mudar o seeding e aí será o momento de definição no ranking. Eu me dei nas etapas do começo do ano e depois de Durban é que começam a aparecer os atletas que vão entrar na lista dos 15 classificados pelo WQS. Pretendo garantir minha vaga antes da perna havaiana, para competir sem pressão e já pensar no trabalho do ano que vem. Agora vou passar uma semana em casa descansando e treinando para a perna européia.
A que você atribui o seu bom desempenho este ano, na terceira temporada disputando o WQS?
Com certeza o nascimento do meu filho foi decisivo para essa mudança no meu comportamento e na maneira de encarar a vida. Antes eu só queria saber de diversão, ficar com os amigos. Agora tenho algo importante para pensar, um compromisso com alguém. Eu sempre penso nele, que tenho que fazer o meu trabalho bem feito para levar algo de bom para ele. Isso mudou bastante minha vida. E também, no começo do ano eu passei um tempo em casa, fiz um trabalho de fisioterapia para curar minha virilha, que vinha me incomodando bastante. Depois disso as coisas começaram a dar certo. Fui um tempo antes para os campeonatos da Austrália para treinar e deu resultado. Essa é uma das estratégias que adotei, de chegar com antecedência nas ondas que não conheço ou não costumo me dar bem.
Como você administra a vida de pai de família? Procura sempre levar a mulher e o filho nas etapas, como fez nesta?
É diferente agora. Essa preocupação com um filho você só sente quando é pai. Antes eu até sabia que meus pais se preocupavam comigo, mas agora vejo a diferença. Isso é algo que acaba controlando minhas atitudes, penso muito antes de fazer as coisas. Minha mulher é de Ilhéus, onde faz faculdade de fisioterapia, e por isso eles estão aqui comigo neste evento. Eu passo bastante tempo na Bahia quando posso e eles comigo em Ubatuba, mas também viajo muito sozinho. Mas isso não muda em nada a minha responsabilidade de dar o máximo de mim no meu trabalho. Devo ficar este fim de semana em Ilhéus com eles, para depois colocar toda minha concentração nas próximas etapas do WQS.
Você está confiante em conseguir a vaga no WCT este ano? Existe alguma cobrança, tanto interna como de outras pessoas?
Sim, estou confiante. Eu nunca fui de trabalhar sob pressão, procuro ficar tranqüilo e fazer o que sei dentro da água. Já estou em meu terceiro ano disputando o WQS e finalmente consegui alcançar os objetivos que estava perseguindo. Todo ano eu via que era difícil, mas que não era impossível. Vi caras como o Leo Neves e o Rodrigo Dornelles entrarem no WCT sem ganhar nenhuma etapa do WQS. Ainda não ganhei nenhuma, mas estamos na metade do ano e ainda pretendo vencer uma prova até o fim da temporada.
Que lições você tirou das atuações dos brasileiros no WCT neste e nos últimos anos?
Eu venho prestando muita atenção a isso. Para os brasileiros acaba sendo tudo mais difícil, principalmente na questão financeira. Durante a carreira amadora, os gringos sempre treinaram em ondas iradas, Tahiti, Indonésia, e continuam fazendo isso nos intervalos entre as etapas do tour. Já os brasileiros normalmente só conhecem essas ondas quando entram na elite, pois é quando os patrocinadores realmente começam a apostar e acreditar em você. Por isso, às vezes demora um pouco para se adaptar. Sei que não será fácil, mas espero entrar para fazer bonito e me manter no tour.
Você se considera preparado para as ondas e o julgamento do WCT?
Acho que sim, com certeza. No WCT o critério de julgamento é bem mais difícil, mas acredito que meu surf se encaixa no tipo de onda do circuito. Prova disso é que todos os meus últimos bons resultados foram em ondas semelhantes às do WCT, como Noronha e Margaret River, na Austrália, que possuem linha e tubo. Ainda não tive nenhum resultado expressivo no WQS, mas quero conseguir isso ate o fim do ano.
Em que atleta do WCT você se espelha e busca inspiração?
Bem, o Kelly Slater é uma unanimidade e a principal lição que tiro dele é a regularidade. Ele sempre soube manter-se no topo, mesmo depois das adversidades que rolaram na vida dele, retratadas no filme sobre o sétimo título mundial. É um cara que eu me espelho muito. Outro mais recente é o Bobby Martinez, que também admiro bastante pela história de vida e pelo que vem conquistando no surf profissional. E um surfista que sempre me espelhei, principalmente pelo estilo de surf, é o Rob Machado.



