Adriano de Souza, Billabong SurfEco Festival 2008, praia do Forte, Bahia.

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Entrevistas22/06/2008 - 15h47

Evolução a todo custo

Dois anos e meio depois de estrear no WCT, em 2006, Mineirinho vem a cada dia conquistando o respeito dos adversários e de todos que integram e acompanham o Circuito Mundial de surf profissional. Apontado como promessa desde a época que despontou nas categorias amadoras em campeonatos no Guarujá, onde nasceu e mora até hoje, Mineirinho consolidou seu potencial ao alcançar a quarta posição no ranking desta temporada – nas quatro etapas disputadas até agora, ele soma dois nonos, um quinto e um terceiro lugares. Aos 21 anos e com muito tempo pela frente, o brasileiro tem tudo para ir mais longe. “Minha meta este ano é ficar entre os Top 10”, afirma Adriano, com a confiança de quem está finalmente adaptado às regras do jogo. No intervalo até a próxima etapa do tour, em julho em Jeffreys Bay, África do Sul, ele participou do Billabong SurfEco Festival, etapa 5 estrelas do WQS realizada na praia do Forte. O que seria apenas um campeonato para manter o ritmo de competição acabou se convertendo em mais uma vitória na carreira do “garoto-prodígio” do surf brasileiro (clique aqui para ler a matéria). Da Bahia ele segue para uma viagem ao litoral da Colômbia, onde irá treinar e produzir material publicitário. Por esse motivo não irá disputar a próxima etapa da divisão de acesso, no Guarujá. Antes de sagrar-se campeão na praia do Forte, Mineirinho falou com exclusividade à FLUIR sobre o excelente momento que vive na carreira.
Por Ricardo Macario - rmacario@edpeixes.com.br
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Você nitidamente evoluiu do ano passado para este. Esperava chegar entre os Top 5 no primeiro semestre?
É muito gratificante poder representar bem o Brasil no WCT, mas isso é fruto de um longo trabalho e muita dedicação. Foram dois anos de críticas sobre minhas performances em ondas pesadas como Teahupoo e Fiji. Então decidi aprimorar justamente meus pontos fracos e melhorar minha técnica nos tubos de backside. Minha meta agora é terminar o ano pelo menos entre os Top 10, diferente do começo da temporada, quando meu objetivo era ficar entre os Top 16.

Em que momento você decidiu parar para colocar tudo isso em prática? Teve influência externa ou aconteceu naturalmente?
Eu não fiquei satisfeito com a minha temporada no ano passado. Não me classifiquei na lista dos 27 do WCT (Mineirinho ficou em 28º e entrou pelo WQS) e vi caras como o Jeremy (Flores), que entrou depois que eu, terminar o ano como oitavo do mundo. Isso me deu um estalo e injetou motivação para eu correr atrás, pois faz três anos que eu venho me preparando e tentando evoluir no circuito. Mas eu não estava conseguindo colocar isso em prática nos resultados, dentro da bateria. Coloquei na cabeça que este seria o ano e fui atrás desse objetivo. No começo do ano fiz um grande trabalho de preparação física com o Roberto Bertonha, profissional que integra a clínica do Mick Fanning, na Austrália. Somos muito amigos e ele me deu muito apoio nessa parte. No Brasil, continuo fazendo também um trabalho físico e psicológico na clínica Marazul, em São Paulo, que também vem contribuindo muito nessa evolução. Mas eu nunca tive nenhuma cobrança externa, pois sou muito novo e ainda tenho essa tranqüilidade. Nesses dois anos no WCT eu aprendi muita coisa, errei muito e agora estou aplicando tudo isso. Minhas pranchas também estão boas, ao contrário do ano passado, quando todas as mágicas quebraram antes do meio do ano e fiquei meio perdido depois, não consegui recuperar.

O que você achou da declaração do Rabbit sobre você durante a etapa de Fiji do Circuito Mundial? (NR: no texto sobre o evento, antes da bateria contra Fred Patacchia, Wayne "Rabbit" Bartholomew, presidente da ASP e campeão mundial em 78, não poupou elogios ao brasileiro, dizendo que Mineirinho já é uma ameaça real aos adversários no tour: "O garoto não é mais um coadjuvante, como em seu ano de estréia. Ele sabe como surfar nas bancadas de pedra e coral e aprimorou bastante o backside. Freqüentemente vemos Mineirinho fazer belas linhas, com uma boa leitura das ondas. Será um belo duelo, entre um desesperado Fred, que precisa fugir da 35ª colocação, contra um Adriano em busca de respeito").
Eu confesso que não sabia dessa declaração, mas fico feliz em saber que ele pensa isso a meu respeito. Ele é um campeão mundial e tem muito respeito por todos os surfistas, então ele dizer que eu sou uma ameaça aos Tops é bem gratificante. Mas como eu disse, é fruto de muito trabalho. Eu nem estou muito ligado no ranking, apenas estou colocando em prática tudo que venho assimilando em cada evento, um de cada vez.

O que você tem e dizer sobre a campanha de Kelly Slater este ano?
Ele é um fenômeno. Essa é a única palavra que me vem à mente quando penso nele e no que está fazendo no tour. Simplesmente um fenômeno.
Clique aqui para ver a notícia sobre o Billabong SurfEco Festival 2008.



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