Alessandro Matero, Kaiwi Channel Relay 2008, Oahu, Hawaii

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Entrevistas > Canoa havaiana24/06/2008 - 11h59

Receita de waterman

O paulista Alessandro Matero é um exemplo de surfista que foi além do surf convencional e decidiu se tornar um waterman completo. Ele coordena os treinos de canoa havaiana na raia da USP, em São Paulo, e já participou de algumas provas da modalidade no Hawaii, berço do esporte e local onde estão alguns dos principais remadores do mundo. No começo de 2007, em sua primeira participação na tradicional travessia do canal que separa as ilhas de Oahu e Molokai, ele saiu campeão da categoria OC2, ao lado do parceiro e amigo Vitor Marçal. “Todo surfista que deseja ser um waterman completo tem que saber remar, nadar e velejar, além de surfar”, sentencia Matero, 35, também conhecido como “Amendoim”. Saiba mais sobre a modalidade que deu origem ao surf no Hawaii nesta entrevista exclusiva de Amendoim à FLUIR.
Por Ricardo Macario - rmacario@edpeixes.com.br
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Como começou sua ligação com os esportes aquáticos?
Venho de uma família de nadadores. Minha mãe e meu avô eram nadadores de águas abertas. Com isso, comecei a nadar logo cedo. Nós temos uma casa de veraneio em Santos, lugar que me proporcionou um contato maior com o surf e a canoagem desde a infância. Em 1996, fui para San Diego, na Califórnia, para treinar triátlon e aprender inglês. Foram seis anos estudando e trabalhando com treinamento físico. A partir de 1997, comecei a ir para o Hawaii trabalhar no Ironman, a mais importante prova de triátlon do mundo. Comecei no suporte técnico e, depois da prova, ficava mais uma semana para surfar. Isso durou ate 2001. Durante esse tempo comecei a entender melhor a cultura havaiana. Notei que todos os grandes surfistas tinham uma ligação muito maior com o mar, eles remavam, velejavam, mergulhavam, pois não era sempre que tinha onda.

Então você começou a participar dos eventos de canoa no Hawaii?
Na época que eu trabalhava no Ironman, conheci a canoagem havaiana. Quando voltei para o Brasil, em 2002, o esporte já existia por aqui. Assim que firmei residência novamente, assumi a base de canoagem da USP e comecei a treinar com freqüência. Participei do circuito brasileiro de 2003 a 2007. No final de 2006, um aluno me perguntou qual seria a prova mais difícil do mundo e eu disse que era a travessia do canal que separa as ilhas de Oahu e Molokai, no arquipélago havaiano. É famosa por ser longa e sempre ter condições extremas, com ventos fortes e ondas grandes. É considerado o campeonato mundial de longa distância da modalidade. Então ele botou pilha para participarmos da prova no ano seguinte. Na véspera da competição, ele sofreu um acidente de carro e não pôde ir. Eu já estava preparado e procurei outro parceiro que aceitasse o desafio. Foi quando o Vitor Marçal, grande amigo meu que mora no Hawaii há muitos anos, surfista de ondas grandes, salva-vidas do North Shore de Oahu, aceitou de imediato. Foram três dias de treino com o novo parceiro, pois nunca tínhamos remado junto e por ser uma canoa de duas pessoas, a sincronia era muito importante. Sem nenhum problema, fomos para o desafio e vencemos na categoria OC2 (canoas para duas pessoas). Ou seja, saímos campeões do mundo em nossa primeira competição. Desde então, já retornei às ilhas para mais dois desafios no mesmo canal. Em outubro de 2007 corri a Molokai Hoe (em canoas para seis remadores) e no último dia 4 de maio, participei da Kaiwi Channel Relay (em canoa para uma pessoa, com revezamento). Só que dessa vez, tive uma intoxicação alimentar três dias antes da prova e fiquei muito debilitado, perdi 4 quilos em 24 horas. Com isso, larguei mal e não conseguimos uma boa colocação, terminando na 70ª posição entre os 106 participantes.

Qual a relação da canoagem com o surf, tanto culturalmente, no Hawaii, como tecnicamente?
No lado técnico, a remada na canoa ajuda a fortalecer e melhorar diretamente a remada do surf e também o abdômen (responsável pelo equilíbrio). Na parte cultural, a canoa é simplesmente a origem do surf. E hoje, todo surfista que deseja ser um waterman completo tem que saber remar, nadar e velejar, além de surfar.

Explique a diferença entre as categorias da canoagem.
Existem quatro tipos de canoas:
OC1 (canoas para uma pessoa) - modelo mais usado em provas de velocidade e travessias de longa distância.
OC2 (canoas para duas pessoas) - modelo mais usado em provas de velocidade e travessias de longa distância.
OC4 (canoas para quatro pessoas) - modelo para surf, usado para muita diversão.
OC6 (canoa para seis pessoas) - é a mais tradicional e mais conhecida, usada em provas de velocidade, travessias e passeios.
Atualmente estou participando de todas as categorias e também passo boa parte do meu tempo na praia, praticando Stand Up Paddle Surf, modalidade resgatada dos antepassados havaianos, atualizada e muita divertida.

Que dicas você dá para quem tem interesse em começar na modalidade?
É um esporte que não tem impacto. Pode ser praticado por todos, sem restrição de idade. Quem mora em São Paulo pode me procurar na raia olímpica da USP ou pelo telefone 11 7806-7737 ou no email amatero@matero.com.br. E quem mora em outra cidade, descobriremos a base mais próxima.

Como funciona seu treinamento na raia da USP?
O treino é aberto a todos que estão procurando uma alternativa diferente de atividade física ao ar livre em SP. É um espaço único. Funciona da seguinte forma: são três dias (segundas, quartas e sextas) das 12:30 às 13:30 horas, divididos em técnica, velocidade e resistência. Qualquer pessoa, em qualquer nível de condicionamento físico, pode e deve participar, pois é um esporte que trabalha membros inferiores e superiores, respeitando o nível de cada um. Sem contar o bom astral da canoa, que renova as baterias para o resto do dia.

Há muitos surfistas treinando?
Sim, pois é o único lugar em SP que você pode melhorar a remada para o surf da mesma forma que os havaianos fazem. E na hora do almoço. Inclusive no fim de junho terá uma boa oportunidade de as pessoas conhecerem melhor o espaço e o esporte, na terceira etapa do circuito brasileiro de canoa havaiana.

Como será esse evento?
Vai rolar no dia 29 de junho na raia olímpica da USP, em São Paulo. É uma prova aberta a todos que já praticam a modalidade, pois só terá a categoria OC6 (canoa para seis pessoas). Estarão presentes todos os clubes de canoa havaiana do Brasil. A competição promete ser muito emocionante, pois as equipes estão bem equilibradas.



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